Em um cenário marcado por incertezas e desafios, a análise de crédito torna-se ferramenta essencial para empresas e instituições financeiras. Com a economia brasileira em fase de desaceleração para 2025 e 2026, entender as dinâmicas vigentes é fundamental para preservar saúde financeira e identificar oportunidades.
Este artigo apresenta uma visão integrada do panorama macroeconômico, das tendências de crédito, dos principais indicadores de análise e dos riscos mais relevantes para o próximo biênio. Além disso, oferece estratégias de mitigação e orientações práticas para gestores e analistas.
Panorama Econômico Nacional
O Brasil enfrenta um ritmo de crescimento moderado para os próximos anos. As projeções mais recentes apontam PIB crescendo 2,1% em 2025 e estabilidade em torno de 1,8% a 2,1% em 2026. Esse desempenho está relacionado a fatores internos e externos que moldam a dinâmica local.
Internamente, o país opera com juros elevados (Selic em 15%) e alto endividamento familiar e inadimplência, elementos que limitam o consumo e pressionam o mercado de crédito. A inflação encerra 2025 em 5,4% e deve convergir para aproximadamente 4,5% em 2026, enquanto a taxa Selic pode recuar para 12,25%–14,45% no próximo ano e chegar a 11,50% em 2026.
No câmbio, observamos câmbio volátil na faixa de R$ 5,40-R$ 5,90, influenciado por fluxo de capitais e incertezas fiscais. Externamente, a desaceleração norte-americana, a liderança chinesa no comércio global e a reorganização de cadeias produtivas definem contexto competitivo e desafiam a inserção do Brasil em mercados internacionais.
Mercado de Crédito 2025-2026
Mesmo em ambiente desafiador, a carteira de crédito projeta crescimento moderado. Para 2025, espera-se expansão de 9,2%, ajustada de 8,9%, e de 8,2% em 2026. Grande parte dessa alta ocorre via crédito direcionado, cuja carteira deve subir para 10,9% em 2025 e 9,4% no ano seguinte.
Por outro lado, a inadimplência avança para 5,1% em 2025 e 5,2% em 2026, resultado de:
- 80 milhões de inadimplentes devendo R$ 500 bilhões, redução da oferta de crédito;
- crescimento do crédito pessoa física desacelerando de 12% ao ano;
- e efeitos defasados de política monetária contracionista.
Entretanto, ciclo de aperto monetário chegou ao fim e o Banco Central sinaliza cortes graduais a partir de março de 2026, com Selic estimada em 13% em agosto. Esse cenário favorece operações pós-fixadas, como aquelas atreladas a IPCA e Selic, principalmente para prazos com carência superior a 12 meses.
Fundamentos da Análise de Crédito
A análise de crédito visa estimar a probabilidade de inadimplência de um cliente ou empresa. Em 2026, diante de juros altos e histórico crescente de atrasos, torna-se imperativo considerar indicadores sólidos:
Além desses, aspectos qualitativos como setor de atuação, governança corporativa e garantias oferecidas contribuem para uma avaliação robusta. Ferramentas analíticas avançadas e dados de agências de crédito permitem ajustes dinâmicos ao perfil de risco.
Principais Riscos de Crédito em 2026
Identificar e priorizar riscos é passo essencial para proteger carteiras. Os cinco maiores riscos em 2026 são:
- Inadimplência estrutural com recorde de devedores e falências em série;
- insolvências setoriais em cadeia, amplificadas por tecnologia e regulação;
- risco político e macroeconômico, incluindo instabilidade fiscal e eventos globais;
- persistência de juros altos e dólar valorizado elevando custo de capital;
- volatilidade em desemprego e inflação pressionando capacidade de pagamento.
Esses vetores exigem monitoramento setorial contínuo e adoção de modelos de stress test para cenários adversos. A diversificação da carteira, o uso de limites por setor e o estabelecimento de políticas rígidas de concessão reduzem exposição.
Estratégias de Mitigação e Perspectivas Futuras
Para navegar neste ambiente desafiador, instituições podem adotar práticas consolidadas e inovadoras. O foco deve estar em integrar dados, automação e governança de risco.
- Mapeamento setorial e granular para ajustar limites conforme vulnerabilidade;
- utilização de modelos preditivos e aprendizado de máquina para atualização contínua de scores;
- fortalecimento de garantias e parcerias com seguradoras e fundos de crédito;
- adoção de políticas de renegociação proativa para clientes com relação dívida/renda elevada indica risco.
O apoio de políticas públicas e estímulos fiscais, em conjunto com a solidez de institutos como Febraban e economistas de referência, pode assegurar um pouso suave via emprego resiliente.
Conclusão
A análise de crédito, embasada em indicadores consistentes e modelos avançados, é crucial para enfrentar a desaceleração econômica. Ao considerar projeções de crescimento, inflação, taxas de juros e riscos setoriais, gestores conseguem tomar decisões mais seguras e identificar oportunidades mesmo em cenário de alta complexidade.
Com práticas de governança de risco, monitoramento constante e uso de tecnologia, é possível proteger carteiras, mitigar perdas e fomentar o desenvolvimento sustentável do crédito no Brasil em 2025 e 2026.