O Papel das Moedas Digitais na Inclusão Financeira

O Papel das Moedas Digitais na Inclusão Financeira

Em um mundo cada vez mais conectado, as moedas digitais surgem como uma força revolucionária para democratizar o acesso a serviços financeiros. Para Maria, comerciante em uma comunidade periférica de São Paulo, o Pix não foi apenas uma ferramenta de pagamento instantâneo, mas uma porta de saída para novas oportunidades de negócio. Ao permitir que clientes paguem a qualquer hora, sem tarifas ou burocracia elevada, essas novas formas de dinheiro eletrônico têm o potencial de alterar profundamente a trajetória de vidas e negócios familiares.

Ao explorar as iniciativas já consolidadas e os desafios emergentes, é possível vislumbrar um futuro onde acesso universal a pagamentos digitais seja uma realidade tangível. Este artigo oferece uma análise abrangente sobre como o Brasil se tornou referência em inclusão financeira por meio de inovação e regulamentação, avaliando impactos, riscos e perspectivas futuras com o Real Digital, também chamado de Drex.

Avanços no Brasil com Pix e pagamentos digitais

O Pix, lançado pelo Banco Central em novembro de 2020, rapidamente se tornou o principal motor de transformação financeira no mercado de pagamentos. Seu funcionamento em tempo real e a gratuidade para pessoas físicas conquistaram pequenos e grandes usuários em todo o país.

Segundo dados do BC, até setembro de 2025 já haviam sido realizadas 57,4 bilhões de transações por meio do Pix, número que reflete a confiança depositada na plataforma e a agilidade que ela proporciona. Ao comparar os meios de pagamento:

  • Cartões de débito: 69,1% de uso entre brasileiros.
  • Cartões de crédito: 51,6%.
  • Dinheiro em espécie: 68,9%, ainda relevante para transações informais.
  • Pix: 76,4%, liderando como preferência nacional.

A inclusão de 71,5 milhões de usuários até dezembro de 2022 ao sistema financeiro comprova o papel do Pix como transformação do sistema financeiro nacional. Além disso, a média de 5,2 contas por brasileiro em 2022 demonstra que as pessoas passaram a diversificar seus acessos, utilizando diferentes plataformas para gerenciar recursos.

Crescimento das criptomoedas e stablecoins

No âmbito dos criptoativos, o Brasil se destacou como líder na América Latina ao movimentar US$ 318,8 bilhões entre julho de 2024 e junho de 2025, com um expressivo crescimento de 109,9% em relação ao período anterior. Esse avanço não se restringe a investidores sofisticados; muitos jovens enxergam nas criptomoedas uma alternativa de rendimento, enquanto microempreendedores utilizam ativos digitais para transferências internacionais com custos menores.

Entre as inovações práticas, o lançamento do Binance Card no Brasil, em parceria com a Mastercard, destaca-se como um exemplo de como as stablecoins podem entrar no cotidiano do consumidor. Com ele, é possível gastar cripto em 150 milhões de estabelecimentos ao redor do mundo, pois a conversão automática para real ocorre no momento da compra.

Para garantir segurança fiscal, o Fisco exige a declaração obrigatória de todas as operações com criptoativos, reforçando a necessidade de transparência e conformidade tributária. Essas medidas compõem um ambiente onde sistema financeiro regulado e protegido atrai novos usuários sem abrir mão da supervisão eficiente.

Regulamentação recente

A consolidação das moedas digitais no Brasil passou por marcos regulatórios fundamentais, que equilibram inovação e proteção. A Lei 14.478 de 2022, conhecida como Marco Legal dos Criptoativos, estabeleceu diretrizes para serviços de ativos virtuais e definiu bases sólidas para sua integração ao mercado tradicional.

Com essa arquitetura legal, o Brasil fortalece princípios de livre iniciativa, concorrência e proteção robusta ao consumidor final. Apesar dos custos associados ao cumprimento das novas normas, a expectativa de maior transparência e segurança reforça a confiança no mercado digital.

Impactos na população de baixa renda e desbancarizados

As moedas digitais têm efeitos diretos na vida de quem, até pouco tempo, estava à margem do sistema financeiro. Em 2021, 82% dos brasileiros de baixa renda possuíam conta bancária, segundo o Global Findex, mas o uso efetivo das contas ainda era limitado devido a tarifas e burocracia.

  • Redução de excluídos: de 45% em 2018 para 21% em 2023 no uso exclusivo de dinheiro vivo.
  • 20% da população ainda não acessa pagamentos digitais, majoritariamente em áreas rurais e periferias urbanas.
  • 59% das pessoas de baixa renda enfrentam restrições de conectividade, dificultando o uso pleno de soluções digitais.

Para muitos, o Pix representou a primeira experiência segura de transação financeira. Estudos da FGV de 2024 apontam maior frequência de uso nas regiões de menor renda, confirmando que tecnologias acessíveis efetivamente reduzem desigualdades socioeconômicas.

Desafios e desigualdades persistentes

Mesmo diante dos progressos, persistem desafios significativos. A inadimplência atinge 4 em cada 10 adultos, restringindo o acesso a serviços para negativados. Além disso, a falta de educação financeira e a desconfiança em instituições continuam sendo barreiras para a adoção plena de soluções digitais.

Por outro lado, a proibição de stablecoins algorítmicas, prevista no PL 4.308, e bloqueios pontuais, como o do USDC em 2026, criam incertezas que podem desacelerar projetos inovadores. É preciso encontrar um equilíbrio que estimule a concorrência sem sacrificar a segurança dos usuários.

Perspectivas futuras com Drex (Real Digital)

O Real Digital, ou Drex, representa a evolução natural do ecossistema brasileiro de moedas digitais. Como uma plataforma programável para pagamentos, o Drex permitirá transações automatizadas e contratos inteligentes integrados a sistemas de cobrança e benefícios sociais.

Pesquisas do Banco Central, comparando Drex e outras moedas digitais, oferecem insights valiosos para moldar políticas públicas e garantir estabilidade. A expectativa é de que o Real Digital traga maior velocidade nas transferências e impacto positivo na inclusão financeira ao reduzir custos e ampliar o alcance das transações eletrônicas.

Com o Pix, as SPSAVs regulamentadas e o Drex em perspectiva, o Brasil se consolida como modelo global em inovação financeira. Essas iniciativas criam um cenário onde as moedas digitais não apenas facilitam pagamentos, mas também fomentam desenvolvimento econômico e social, assegurando um futuro mais justo e igualitário.

Por Matheus Moraes

Matheus Moraes